Os cuidados que você pode ter para que seu filho não faça parte das estatísticas crescentes (e preocupantes!) sobre obesidade infantil começam ainda na gestação, sabia?

A obesidade infantil é uma doença preocupante. Segundo dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), divulgados pelo Ministério da Saúde, 7% das crianças brasileiras menores de 5 anos estão com excesso de peso e 3% estão obesas. É uma epidemia crescente e que leva a vários outros males, já que a doença está associada a problemas como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, entre outros. E o que você pode fazer para evitar que seu filho faça parte desses tristes números? Cuidar da alimentação e dos hábitos – não só dos dele, mas dos seus também! É isso mesmo: a atenção a essa questão deve começar pelos pais, antes mesmo de o bebê nascer. 

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Para ajudar as famílias a saberem o que fazer para cuidar da alimentação e da saúde das crianças, a nutricionista infantil, Camila Garcia (SP), dá 10 dicas importantes. Confira:

1. Alimentação saudável, desde a barriga

Desde o momento em que o teste de gravidez dá positivo – ou até antes! – garanta que sua alimentação seja saudável, completa e variada. Evite industrializados e produtos ricos em açúcares e invista em alimentos que contenham os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo. A alimentação da mãe na gestação afeta muito os hábitos alimentares do bebê no futuro porque é nesse momento que começa a formação das papilas gustativas da criança. Se a mãe consome muita comida industrializada, rica em gorduras e em açúcares, a criança já nasce com uma predisposição a isso também – o que pode alterar o ganho de peso e levar à obesidade infantil.

2. Exercícios na gravidez também previnem obesidade infantil!

Se você pratica atividade física antes e durante a gravidez, seu filho terá maiores chances de ter um peso saudável e de gostar de exercícios também. Quando a mulher se exercita (claro, com orientação médica) ao longo dos nove meses, ela já diminui, por exemplo, o risco de ter diabetes gestacional, uma condição que pode causar uma série de problemas, entre eles, o ganho de peso exacerbado do bebê – dificultando, inclusive, as chances de um parto normal. Além disso, os riscos hipertensão e doenças crônicas associadas também são reduzidos para a mãe e para a criança.

Sem falar no exemplo: se a criança nasce em uma família em que os pais têm a prática de exercícios físicos como um hábito, é provável que ela adquira esse costume também – e faça com prazer. 

3. Prato completo na amamentação

Na amamentação, siga com uma alimentação saudável, balanceada e sem restrições, se não houver necessidade. Os alimentos devem ser retirados da dieta só no caso de um diagnóstico real de alguma alergia ou intolerância alimentar no bebê ou na mãe. Algumas mães deixam de comer algum alimento porque acham que faz mal ou dá cólica no bebê. A atitude não é recomendada porque a criança precisa receber o máximo de nutrientes possível.

Se você retirar o brócolis, por exemplo, da sua alimentação, o bebê não terá contato com essa hortaliça. Pelo leite materno, o bebê também sente alguns sabores de alimentos consumidos pela mãe. Isso significa que ele não terá contato com esse sabor e, então, pode ser mais difícil que ele aceite esse alimento mais tarde, na introdução alimentar. Isso, por sua vez, pode atrapalhar o paladar para alimentos saudáveis, acarretando em maior facilidade de comer industrializados e ultraprocessados e, assim, de ganhar mais peso. 

4. Introdução alimentar na hora certa

Obesidade infantil: como evitarTenha calma e não comece a introdução alimentar antes da hora. Ofereça os alimentos respeitando o ritmo do bebê, quando ele estiver preparado. Um bebê de 4 meses, por exemplo, ainda não consegue sentar direito. Se você for iniciar a introdução alimentar nessa fase, vai precisar oferecer alimentos mais líquidos, que têm desvantagens (leia abaixo).

Espere os sinais de prontidão, que são: o bebê conseguir sentar praticamente sem apoio, ter o pescoço mais durinho, levar objetos à boca, ter interesse em levar os alimentos à boca com as próprias mãozinhas, diminuir o reflexo de protrusão da língua (quando o bebê é mais novinho, ele tem um reflexo de colocar a língua para fora e deixá-la mole). Isso tudo acontece por volta dos seis meses de idade, mas não é regra. Varia de criança para criança. Em algumas, essas mudanças vêm um pouco antes e, em outras, um pouco depois. Não precisa começar a introdução alimentar exatamente no sexto mesversário. Apenas preste atenção e veja se ele está preparado para comer. 

5. Comida por inteiro

Na introdução alimentar, prefira oferecer a comida em pedaços, como no método BLW, ou amassada com um garfo. Não ofereça papinhas liquidificadas ou sucos, porque, desta forma, fica mais difícil a criança conhecer o sabor dos alimentos, já que fica tudo misturado e ela não vai conseguir identificar o que é o quê. A chance de aceitar esses alimentos lá na frente, então, fica muito menor. Além disso, como o alimento na versão líquida é muito fácil de o bebê comer, ele pode acabar consumindo muito mais do que precisa, o que atrapalha a noção de saciedade.

A mastigação também não é estimulada e isso pode influenciar, inclusive, no desenvolvimento da fala, já que as duas atividades usam o mesmo músculo. Sucos não são recomendados antes de 1 ano. Eles oferecem uma forma muito rápida de ingestão de uma grande quantidade de frutose, o açúcar das frutas. Isso causa um pico glicêmico, ajuda a habituar o paladar ao sabor doce e ocupa espaço dos alimentos sólidos e do leite materno no estômago da criança. Tudo isso está relacionado à obesidade infantil.

6. Comida de verdade

Parece óbvio, mas, acredite, nem todo mundo segue essa recomendação. Ofereça para o seu bebê alimentos de verdade e varie as opções. Assim, o bebê consegue conhecer diferentes tipos de comida e amplia seu repertório, aos poucos: verduras, legumes, carnes, arroz, feijão. Dê um pouco de tudo. Diga não aos industrializados, açucarados e ultraprocessados. 

7. Industrializados e açúcar: vilões da obesidade infantil

Não é segredo que os alimentos industrializados e ultraprocessados estão totalmente relacionados à obesidade infantil. Na gestação e nos primeiros dois anos de vida, o paladar da criança está se desenvolvendo. Então, se não é bom consumir esse tipo de produto em nenhuma fase da vida, nos primeiros 24 meses, isso pode ser ainda mais prejudicial.

O açúcar funciona como uma droga, ativando os mecanismos de recompensa do cérebro: quanto mais a gente consome, mais quer consumir. Se isso acontece com o adulto, imagine com a criança, que está com o paladar em desenvolvimento. A criança aprende a comer. Se você focar no açúcar, é isso que ela vai querer comer. Então, vai começar a achar os alimentos de verdade sem graça, sem gosto. Isso pode ter um papel importante no desenvolvimento da obesidade. Evite! Se for dar, espere seu filho completar ao menos 2 anos e, mesmo assim, com moderação. 

8. O mel pode esperar

Muita gente tem a ideia de que o mel pode ser oferecido sempre porque é um alimento natural e, portanto, saudável. Porém, não é bem assim. O mel, antes de 1 ano, não deve ser oferecido de maneira nenhuma às crianças, pelo risco aumentado de botulismo – uma doença neuropatológica causada por uma toxina, que pode estar presente neste alimento. Outro motivo é que, como o mel é doce, também pode atrapalhar na formação do paladar e favorecer a preferência a alimentos açucarados.

9. Qualidade e não quantidade

“Meu filho não come tudo!”, “Meu filho não raspa o prato”, “Ele é ‘ruim’ para comer”. Quantas vezes dizemos e ouvimos frases assim? Na verdade, é mais importante se preocupar com a qualidade do que com a quantidade que o bebê ingere. Muitos pais ficam desesperados porque o filho come pouco e dão outros alimentos (que não a comida de verdade) só para ver que a criança está comendo alguma coisa. Não importa quantas colheres o seu filho come e sim o que está sobre essa colher. 

10. Sem distrações: telas favorecem obesidade infantil

Quando a criança não come, você costuma distraí-la com o celular ou a televisão? Se você respondeu ‘sim’, saiba que é hora de parar com esse hábito. Hora de comer é hora de comer – e não de ver televisão, tablet ou celular. Quando a criança come distraída, ela pode acabar comendo mais do que precisa, porque não presta atenção no que está fazendo. Isso é um caminho fácil para a obesidade.

O bebê nasce com a noção de saciedade. Mesmo um recém-nascido de dias, colocado no peito, sabe o momento de parar, porque sente quando está satisfeito. Essa noção pode se perder ao longo da vida se a criança cria o hábito de comer fazendo outras atividades, sem se atentar às próprias sensações. É isso o que acontece com muitos adultos obesos. Ao longo da vida, essas pessoas perdem a sensação de saciedade porque comeram mais do que era necessário, distraídos, de forma compulsiva, comeram para lidar com alguma emoção…

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