Como se preparar, durante a gravidez, para amamentar um bebê? É preciso esfoliar o peito com bucha vegetal? Passar algum tipo de hidratante? Usar conchas? Nada disso. A maneira mais eficiente de garantir que você consiga oferecer, numa boa, o melhor alimento para o seu filho é buscar informação de qualidade e estar tranquila, livre de preocupações, ansiedade e estresse, que podem impactar na produção do leite [1]. A amamentação começa mesmo é pela cabeça da mãe. Nada como estar segura, relaxada e confiante para garantir o sucesso do aleitamento materno. E, se ainda assim você tiver dificuldades, está tudo bem. O importante é estar serena para passar por esse começo de relação com seu filho da melhor maneira possível. Cuidar de você é fundamental para cuidar bem do seu filho.

Um estudo australiano da Universidade de Griffith, Queensland, feito com 300 mulheres do último trimestre da gestação até o quarto mês pós-parto, mostrou que as mães que se sentiam mais confiantes conseguiram manter o aleitamento exclusivo por mais tempo e buscavam ajuda diante das dificuldades, em vez de interromper o processo e desistir. O mesmo estudo sugeriu que o motivo citado pela maior parte das mães que desistiram de amamentar seus bebês antes do quarto mês de vida era a baixa produção de leite – uma questão que, na maioria das vezes, pode ser corrigida com orientações corretas, boa hidratação da mãe, descanso, tranquilidade e ajuste da pega. [1]

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Ao contrário do que muita gente pensa, amamentar não é instintivo. Por acharem que é um ato natural e que o simples fato de colocar o recém-nascido no peito vai fazer com que ele mame, é comum que as famílias se dediquem ao parto, ao enxoval e aos cuidados práticos, como aprender a dar banho e a trocar a fralda, e se esqueçam de estudar sobre amamentação. Sim, estudar. Como muitas outras coisas na maternidade, é preciso aprender sobre o aleitamento materno. Só compreendendo o processo de verdade é que você consegue ter a tranquilidade e a confiança necessárias para seguir nessa jornada.

Afinal, por que a produção de leite começa na cabeça?

Se, antes, as mulheres viviam em comunidades, mais próximas de outras mulheres, como mães, avós, tias e vizinhas, hoje, não funciona bem assim. Temos rotinas mais individualizadas, o que faz com que as informações sobre amamentação não sejam transmitidas tão facilmente. A rede de apoio diminuiu. Por isso, é tão importante buscar ajuda, estabelecer uma rede de apoio e se preparar para saber o que é esperado nesse processo ou identificar quando algo não vai bem, para poder corrigir.

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Sentir dor, por exemplo, não é normal. Quando isso acontece, pode ser que a pega do bebê esteja errada, o que dificulta o processo, impacta na produção e faz com que o recém-nascido receba menos leite. É importante ajustar a maneira como a boca do bebê se encaixa no seio na hora de sugar para corrigir o problema [2]. A confiança e a tranquilidade são fundamentais para, em vez de se desesperar, conseguir acreditar no processo ou buscar ajuda, quando é preciso.

“O estado mental da mãe influencia muito na produção de leite. Uma mãe calma produz mais leite que uma mãe estressada ou nervosa. Uma mãe nervosa libera hormônios que ‘trancam’ a produção e a saída do leite”, explica o pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria (AAP). “Meu conselho é desestressar, ir para um canto sossegado e aí, sim, começar a amamentar com calma. Coloque uma música, ligue a TV, procure relaxar”, recomenda.

“Quando a mãe está sossegada, mesmo com o bebê um pouco mais nervoso, ela consegue lidar melhor com as situações. O difícil é que, depois da gestação, as mães podem estar passando pelo blues puerperal, que é uma tristeza química [causada por alterações nos hormônios, o que é esperado no pós-parto], o que pode realmente dificultar um pouco a amamentação. Mas ter consciência da questão já ajuda a lidar com ela e, assim, a proceder com uma amamentação tranquila”, lembra o médico. Respire. Vai passar.

“A experiência com a amamentação costuma ser diferente entre as mulheres. Algumas passam por dificuldades iniciais, enquanto outras não encontram problemas. A amamentação é muito influenciada pela condição emocional da mulher e pela sociedade em que ela vive. Por isso, o apoio do companheiro, da família, dos profissionais de saúde e de toda a sociedade é fundamental para que a amamentação ocorra sem complicações”, diz o manual da Rede Global de Bancos de Leite Humano, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) [3].

A amamentação começa pela cabeça da mãe

Pouco leite?

Principalmente no primeiro ano de vida, o bebê cresce e se desenvolve de maneira muito rápida. São grandes transformações e conquistas, tanto físicas como emocionais, em um curto espaço de tempo. Isso pode ser notado, sobretudo, durante os chamados saltos de desenvolvimento e picos de crescimento. Eles acontecem quando o bebê tem uma semana de vida, entre a segunda e a terceira semanas, entre a quarta e a sexta, aos 3, aos 4, aos 6 e aos 9 meses. [4]

Nesses momentos desafiadores, é comum que o bebê fique mais choroso e mame por mais tempo, a ponto de duplicar de uma hora para a outra a demanda, para se alimentar, mas também como forma de afeto. O corpo pode demorar alguns dias para que a produção se ajuste à nova necessidade. É comum que a mãe associe esta fase com uma possível diminuição da produção de leite – o que, na maioria das vezes, não é verdade. E a preocupação e a ansiedade podem aparecer e acabar atrapalhando tudo. [5]

Apesar disso, vale lembrar que cada bebê tem seu tempo e o aumento da demanda pode acontecer a qualquer momento. “A criança está se desenvolvendo o tempo todo, não só nos saltos. Conforme passa mais tempo, ela vai precisando de mais leite, porque cresce. Quanto mais o bebê mama, mais aumenta a produção de leite da mãe e isso acaba suprindo a necessidade”, explica o pediatra.

Nessas horas, é importante manter a calma, procurar apoio e investir em soluções para relaxar e controlar a ansiedade. “Como garantir uma boa produção de leite materno? Dando o peito. Isso aumenta a produção de leite e, assim, você vai dar mais peito porque vai sentir que seu bebê está mais calmo e tranquilo. Mantenha a cabeça no lugar. Lembre-se de que o bebê depende de você e que você é quem está no controle da situação. E também das posições de amamentação e de como colocar o bebê no peito de forma correta, com a ajuda de um bom pediatra”, orienta o neonatologista.

O leite começa na sua cabeça, mas também depende de uma boa hidratação, alimentação, entre outros fatores. E se, ainda assim, as coisas não ocorrerem como você gostaria, não se culpe.

4 dicas para manter a tranquilidade na amamentação

1. Hidratação é fundamental

Beber água, muita água, ajuda na produção do leite materno. Mantenha sempre uma garrafinha por perto e complemente a hidratação com bebidas saudáveis, como chás. O Chá da Mamãe, da Weleda, é uma boa opção não só para auxiliar na hidratação, como para trazer o relaxamento de que toda mãe precisa. Ele é feito com ervas 100% naturais: melissa, alcarávia, funcho, erva-doce e rosa silvestre. Juntas, as ervas formam uma bebida com sabor e aroma agradáveis, com propriedades calmantes e digestivas, que podem ajudá-la a dormir melhor, inclusive. Um jeito fácil e gostoso de manter a ingestão de líquido em dia.

2. Descanse

Descansar não é luxo, sobretudo para a mãe que amamenta. O estresse e o cansaço dificultam e muito o processo da produção de leite. Então, monte uma rede de apoio e confie nela para poder dormir bem, relaxar e ter momentos para você mesma. Bebidas saborosas e quentinhas, como o Chá da Mamãe, também podem ser suas companheiras e ajudar no relaxamento. Aproveite!

3. Coma bem

Para se manter calma, tranquila e saudável, é preciso cuidar da sua alimentação. Se puder, já na gravidez, programe-se para ter comidinhas prontas e de fácil acesso no freezer, para os momentos mais complicados, quando não puder contar com ajuda. Outra dica é deixar petiscos saudáveis sempre à mão, como frutas, sementes e castanhas.

4. Observe seu filho

Cada bebê é único e ninguém conhece seu filho tão bem como você. Se achar que há algo errado, de fato, procure ajuda, converse com o pediatra ou com algum profissional especializado em amamentação, seja com consultoria particular ou no banco de leite mais próximo. Não dê ouvidos aos palpites de quem não entende do assunto.

Você pode ler mais sobre os assuntos citados no texto nos estudos a seguir:

[1] Effect of maternal confidence on breastfeeding duration: an application of breastfeeding self-efficacy theory; Royal Women’s Hospital, Brisbane, Queensland, Australia. Rosemary Blyth 1, Debra K Creedy, Cindy-Lee Dennis, Wendy Moyle, Jan Pratt, Susan M De Vries; Birth Issues in Perinatal Care, vol 29, Issue 4

 

[2] Mitos e verdades sobre produção do leite materno, Maíra Domingues Bernardes Silva, enfermeira pediátrica do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/ Fiocruz).

 

[3] Cartlilha Promoção da Amamentação, 2007, Rede Global de Bancos de Leite Humano, Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).

 

[4] Descobrindo o bebê, SPDM, Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.

 

[5] Saúde da Criança: nutrição infantil – Aleitamento Materno e Alimentação Complementar, Caderno de Atenção Básica, número 23, Ministério da Saúde, 2009.

 

E mais: 

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