De uma hora para outra, aquela criança fofinha, meiga e encantadora, que atendia a todos os seus pedidos de beijinhos e gracinhas, parece ficar possuída por um espírito maligno que berra e esperneia diante de qualquer contrariedade. Por volta dos 2 anos de idade (às vezes, antes, com 1 ano e meio), acontece um fenômeno infantil chamado por especialistas de “terrible twos” (terríveis dois anos, em inglês), também conhecido como “primeira adolescência” ou “adolescência do bebê”.

Isso porque é comum que a criança comece a bater, espernear, jogar o corpo para trás, atirar objetos e chorar toda vez que é contrariada ou quando os pais pedem algo. Negar a orientação e os pedidos dos adultos, aliás, é a reação mais comum nessa fase, que pode evoluir para gritos, tapas, lágrimas inconsoláveis, berros e escândalos de se jogar no chão… É aquela etapa do crescimento em que pais e mães invariavelmente vão passar por uma vergonha em público – e receber olhares julgadores.

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Todos esses são comportamentos esperados para a fase. Prepare-se para se sentir desafiado toda vez que o seu filho tiver de trocar uma roupa, ir para o banho, colocar a fralda, descer de um local, lavar as mãos para comer ou guardar um brinquedo. Ele será sempre do contra.

E, como forma de testar a paciência dos pais – e de testar os próprios limites e emoções -, algumas crianças mudam de humor do nada. Em um momento se mostram alegres e amigáveis, no outro fazem birra e ficam chorosas.

Por que as crianças fazem birra?

Tudo isso acontece porque a criança passa a se ver com uma pessoa única, um indivíduo, e não uma extensão da mãe. Manhas e birras são uma forma de expressar vontades e pensamentos, de delimitar o espaço dela com as ferramentas que ela tem à mão (o choro, o grito…). Como não nascem sabendo lidar com seus sentimentos, elas vão por tentativa. Além disso, este é o período em que os pequenos vão testar os limites, até que ponto podem chegar.

Não pense que esse é um ataque à você ou que ele faz isso para desagradar os pais. Na verdade, essa é uma fase complicada inclusive para a criança, que não domina ainda as próprias vontades e sentimentos, não consegue lidar com a frustração e pode até se contradizer ela própria.

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Como agir com essas crises?

O que os você pode fazer? Primeiro, deixe a crise passar e, depois, ajude seu filho a se expressar, validando o que ele está experimentando. Diga algo como “você está com raiva porque não quer trocar de roupa, mas é preciso trocar de roupa”. Quando houver uma crise de birra, assim que ela se acalmar, procure abaixar e conversar com a criança olhando nos olhos dela e demonstrando o quanto o comportamento dela é inadequado.

Para fazê-la se acalmar, você tanto pode mudar o foco dela, chamando a atenção para outra coisa, como não dando atenção para o show de birra.

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Treinando o autocontrole

Já o autocontrole pode ser exercitado através de brincadeiras que exigem trocas, como jogar bola. É uma maneira, também, de os pequenos aprenderem a esperar e a compartilhar. Representar uma história com o conflito enfrentado pode funcionar.

E, ainda, preste atenção no estado físico do seu filho. Sono, fome, dor e até uma roupa pinicando podem causar mau humor e intensificar os chiliques. Por fim, tenha paciência: embora bem intensa, é uma fase que tende a passar com o amadurecimento do sistema que processa e controla as emoções da criança – por volta de 3 ou 4 anos.

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