Se o risco de desenvolver alergia é o que você mais teme quando pensa no convívio entre bebês, crianças e animais de estimação, pode relaxar. Pesquisas mais recentes demonstram exatamente o contrário: quem convive com pets desde pequeno tem menos chance de apresentar alergias respiratórias. E não é só isso. Os benefícios dessa relação trazem ganhos físicos, psicológicos e emocionais. O que se costuma dizer, ao contrário, é desejar boa sorte aos bichinhos em tom de brincadeira, pois a amizade vai passar certamente por puxões no pelo, beliscões e a falta de jeito (e de compreender a própria força) do bebê.

Segundo estudo publicado pela American Medical Association, bebês que convivem com pets em casa têm risco 13% menor de desenvolver asma – e os que vivem em fazendas ou em contato com muitos bichos, até 50% menos. Diversos estudos recentes ao redor do mundo revelam que a convivência fortalece o sistema imunológico, diminuindo a sensibilidade a pelos, pólen e poeira e, assim, reduzindo a quantidade de antibiótico receitado para as crianças. E que o convívio é benéfico para a diminuição de dores de cabeça, problemas de estômago e resfriados, bem como da obesidade – além de as crianças apresentarem mais bactérias ligadas a um ganho menos acelerado de peso, os pets são um incentivo e tanto a não ficar parado, não?

Vantagens emocionais e sociais para a criança

Não bastassem as vantagens para a saúde física, os animais fortalecem o desenvolvimento sensorial, social e afetivo: as crianças ficam mais sociáveis, aprendem noções de responsabilidade, companheirismo e cuidado mais cedo, demonstram melhor sua afetividade e ficam menos ansiosas. Os benefícios da amizade entre cães e crianças também foram notados em casos de crianças autistas.

Quando se preocupar?

Obviamente, pais de crianças que já têm histórico de alergia a pelos de animais precisam conversar com o pediatra sobre a possibilidade de adotar um cão ou gato. Estima-se que 10% da população tenha alguma alergia associada, como rinite.

Se o pet for muito ciumento ou não muito social, é bom ficar bem atento aos momentos juntos – nunca deixe bebês e animais sozinhos brincando. Mesmo os mais dóceis podem machucar a criança em uma brincadeira ou reagir a um beliscão ou puxão de rabo.

O que fazer para evitar riscos?

O animal deve estar com vacinação e vermífugo em dia, bem como protegido contra pulgas e carrapatos. Evite que ele se deite na cama ou berço do seu filho e mantenha ração e água fora de alcance do bebê. Mas se um dia você pegar seu filho comendo ração, não entre em desespero: acontece nas melhores famílias. Explique  que é proibido e retire do local. A mesma coisa com lambidas: evite que o pet o lamba rosto e mãos, principalmente, e lave toda vez que acontecer – sim, acontece mais do que você consegue evitar.

A área em que o pet faz suas necessidades não deve ser acessada por seu filho. E os pelos no chão precisam ser aspirados diariamente, de preferência.

Qual a melhor idade para ter um pet?

Depende. Crescer com um pet desde quando se está na barriga já se comprovou benéfico para o sistema imunológico. É importante, no entanto, contar que o animal exige atenção, cuidados e tempo para brincadeiras e passeios (se for um cão). Quando a criança tem 1 ano de idade, ela interage melhor com o bicho e a família também já conseguiu estabelecer uma rotina.

Mas, se a sua rotina ainda está bagunçada por causa do bebê, talvez não seja uma boa ideia acrescentar outro elemento novo à sua vida neste momento. Vocês terão tempo para passear com o cachorro, por exemplo? Nas primeiras semanas do puerpério, por exemplo, quando quase ninguém consegue sair de casa, isso será uma dificuldade e o melhor é esperar um pouco.

Se a ideia é a socialização e o desenvolvimento de responsabilidades das crianças, a partir de 4 anos elas estão mais aptas a entenderem regras e a assumirem cuidados.

E para quem já tem um animal, o que fazer com a chegada do bebê?

Cães e gatos podem ficar bem protetores desde a sua gestação. Há alguns que ficam mais bravos quando outras pessoas se aproximam da grávida ou do bebê, mas há também aqueles que vão sentir ciúmes e precisarão entender que não perderam espaço na casa e em seu coração. Acostume seu bichinho com os itens do bebê – deixe ele cheirar o enxoval, entrar no quartinho para conhecer, se aproximar da sua barriga, enfim, participar desse momento de espera.

Quando o bebê nascer, leve para o pet uma fraldinha ou roupinha com o cheiro da criança. E, ao chegar em casa, o ideal é que alguém entre primeiro e agrade o animal, para depois quem estiver com o recém-nascido entrar. Sem neuras: pode deixar ele se aproximar e cheirar à vontade, mas de preferência na parte dos pés (evite a área da cabeça) – é raro, mas pode ser que, querendo brincar ou “cuidar”, o cão machuque seu filho. Em pouco tempo ele vai saciar a curiosidade.

Nos primeiros meses, a atenção e o tempo da mãe vai estar muito voltado aos cuidados com o recém-nascido – o ciclo interminável de troca de fralda, amamentação e sono. O animal certamente sentirá sua falta, portanto, é interessante reservar um momento para ficar a sós com o animal – se for um cão, vai adorar dar uma voltinha no quarteirão e, assim, você também respira um pouco.

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