Paninho, amigurumi, ursinho, cheirinho, fraldinha, cobertor preferido… Na hora de dormir, pode ser que o seu bebê já tenha escolhido o companheiro de sono ideal: a naninha ou objeto de transição, como oficialmente é chamado. Se isso ainda não aconteceu na sua casa, é muito provável que ele ainda vá escolher. Como é bem provável que você mesma lembre de um item com o qual adorava dormir quando criança.

A naninha pode ser qualquer brinquedo, tecido ou mesmo uma parte do corpo, do bebê ou da própria mãe – cabelo e orelhas são os mais comuns. Mais do que companhia para dormir, a naninha é o que confere um certo conforto e segurança para o bebê. É como um aconchego de colo de mãe quando ela não está por perto.

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Por que o bebê precisa de naninha?

A partir dos 4 meses – ou mais–, a criança começa a entender que ele e a mãe não são um ser único. Percebe que ambos são seres separados e isso pode gerar ansiedade e insegurança, afinal, a mãe pode sumir! E é o que acontece. Ao voltar ao trabalho no fim da licença-maternidade (o que ocorre mais ou menos nessa fase), ou mesmo ao se afastar do filho para fazer qualquer tarefa, o bebê percebe que a mãe não fica o tempo todo por perto e pode ficar angustiado ou com medo, especialmente ao dormir.

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A naninha entra, então, como um objeto transicional dessa fase, dessa transição do contato com a mãe, exatamente para dar a ele a segurança e o conforto de que precisa. Por isso, muitas vezes ela é um objeto que tem o cheiro da própria mãe – e isso dificulta muito quando é preciso lavar o item. Especialistas, inclusive, recomendam que bebês que começam a frequentar o berçário levem para o período de adaptação uma peça com o cheiro da mãe.

Como escolher o objeto de transição?

Na verdade, não é a mãe ou pai quem escolhe. Eles até podem oferecer: uma fraldinha, um cobertor, um bicho de pelúcia, um amigurumi (aquele boneco feito de crochê), uma almofada, um travesseiro… Mas quem decide é o bebê. Ele vai se ligar ao objeto por razões emocionais que ele mesmo vai criar. Em geral, tem a ver com a representação da figura materna, e que é considerada pelos pediatras como saudável.

A naninha faz parte do desenvolvimento e ajuda na criatividade e nos afetos. A importância do objeto de transição foi publicada pela primeira vez pelo pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott, em 1953.

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E se a criança não tem uma naninha?

Em geral, o bebê adota a naninha até os 10 meses de idade. Mas pode ser que ele não tenha nenhum objeto de transição, por mais que os pais insistam em oferecer opções – e tudo bem, não tem prejuízo nenhum nisso. Na verdade, o aconselhável é não insistir. A não ser que o objeto traga algum desconforto, como quando é o cabelo da mãe. Neste caso, vale tentar outros itens, que possam substituir a presença materna.

É esperado que até os 5 anos a criança deixe de lado a naninha, quando estiver mais segura de seu papel no mundo e da presença dos pais ao seu lado. Mas pode ser que o objeto atravesse anos ao lado dela. Não há problema nisso, a não ser que o hábito a esteja prejudicando, como ser vítima de bullying.

Dicas para uma relação saudável com o objeto

  • O ideal é que você tenha sempre duas naninhas iguais, para quando precisar lavar uma deles. Há crianças que não dormem sem o objeto amigo. Por isso, paninhos são sempre mais versáteis.
  • Não esqueça de levar o paninho ou bichinho para as viagens, sob pena de estragar o passeio.
  • Não esconda ou jogue fora o objeto, mesmo que ele já esteja feio ou gasto. É a criança que sabe o momento de desapegar.
  • Se ela já passou dos 5 anos e ainda não largou a naninha, mostre a ela que há outras formas de encontrar apoio quando se sentir ansiosa ou insegura. Mas não force que ela abandone o hábito.
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