Muitas mulheres confundem sangramentos com menstruação e, por isso, a dúvida é comum. Veja o que explica a especialista sobre menstruar grávida e saiba quando se preocupar

Não há decepção maior para quem está tentando engravidar do que ir ao banheiro e notar sangue na calcinha. Por outro lado, a situação pode ser uma alívio para quem quer evitar um bebê e pensa: ufa, desceu! Mas será que é isso mesmo? Ou é possível menstruar grávida? Como é que, então, algumas mulheres só descobrem a gestação lá no final, já perto do parto? Conversamos com a ginecologista e obstetra Laura Penteado, diretora clínica da Theia (SP), especializada em gestantes. Ela explicou o que pode acontecer. 

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É possível menstruar grávida?

Antes de saber a resposta, é preciso entender o que é a menstruação. Segundo a médica, quando a mulher menstrua o que acontece é uma descamação do endométrio, a camada interna do útero. Isso ocorre em todos os ciclos, quando não há fecundação. “Em um ciclo reprodutivo normal, essa camada cresce pelo estímulo hormonal e, no dia da ovulação, o endométrio está propício a receber um embrião. Entretanto, se a fecundação não ocorre, esta camada começa a se degenerar e é expelida sob a forma de menstruação. Portanto, este sangramento só ocorre quando não há gestação”, explica Laura. 

Então, se tive um sangramento, não estou grávida?

Nem sempre a afirmação é verdadeira. Isso porque nem todo sangramento é menstruação. Pode haver outros motivos. “A menstruação costuma ter um padrão cíclico, orquestrado pelos hormônios femininos. Sangramentos que podem ocorrer na gestação têm um fator causal e ocorrem desordenadamente no tempo, com intensidades e periodicidades variáveis”, aponta a ginecologista.

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Sangramento no início da gravidez: pode ser nidação

É comum que algumas mulheres percebam uma pequena quantidade de sangue na calcinha logo nas primeiras semanas de gravidez, que nada tem a ver com a menstruação. Trata-se, na verdade, da chamada nidação, que é quando o óvulo fecundado se implanta na parede do endométrio. “Isso pode causar um sangramento em pequena quantidade com duração de até três dias. Aparece como um ‘escape’, em geral, antes do atraso menstrual e após um período entre 5 a 12 dias depois da fecundação”, explica Laura. 

Sangramento na gravidez: é preocupante?

Depende. Na dúvida, é sempre importante procurar um profissional de saúde e relatar o que aconteceu. O médico avaliará a necessidade de investigações mais profundas. Se o sangramento for em pequena quantidade, procure o obstetra que acompanha sua gestação. Se for em grande quantidade, associado a dor abdominal, fraqueza ou febre, não espere: vá direto a um pronto atendimento.

De acordo com Laura, os sangramentos na gravidez podem se dividir em dois tipos: oriundos da gestação e provenientes do canal vaginal. “O primeiro pode ser ameaça de aborto ou abortamento. Nesse caso, a quantidade de sangue é moderada e associada a cólicas abdominais. Já o sangramento que vem do canal vaginal, em geral, pode acontecer por conta de lesões na vagina ou no colo do útero. É comum após relações sexuais”, explica a especialista. 

É possível “menstruar” ao longo de toda a gravidez?

Menstruar, não, mas é possível que ocorram sangramentos variados ao longo do período de gestação. É o que acontece naqueles casos que vemos em noticiários ou em programas de televisão, de vez em quando, em que as mulheres descobrem a gestação apenas próximo ou até durante o trabalho de parto.

“É possível que a gestante apresente alguns sangramentos recorrentes na gestação, mas, em geral, não são cíclicos e os fluxos são variáveis (desde sangramentos discretos em ‘borra de café” até hemorragias em grande quantidade). Por exemplo, se a mulher tem alguma lesão ou alteração da mucosa do colo uterino ou da vagina, ela pode apresentar pequeno sangramento recorrente após relação sexual devido ao atrito do pênis. E se a placenta apresenta uma inserção baixa, próxima ao colo uterino, sangramentos recorrentes depois de fazer algum esforço, atividade física ou até estresse também podem ocorrer”, diz a médica. 

“Mulheres que convivem com alguma disfunção ou irregularidade menstrual e que não menstruavam todo mês estão mais sujeitas a não identificarem a gestação logo no início. Obesidade, anorexia, atletas de alto rendimento e alguns distúrbios endócrinos (hipotireoidismo, síndrome dos ovários policísticos,…) podem alterar o ciclo de produção hormonal feminino e desregular o processo de ovulação e descamação do endométrio”, complementa. Como a menstruação já não era regular, a ausência dela por longos períodos, associada a sangramentos ocasionais, pode ser confundida. Por isso, a surpresa. Mas não é tão comum. 

O importante é que, se você estiver com algum tipo de sangramento, sobretudo se souber que está grávida, é fundamental procurar um profissional de saúde e avaliar melhor a situação. 

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