Gestantes com sintomas leves de Covid-19 ou assintomáticas têm mais complicações no pós-parto se são submetidas a uma cesárea não emergencial em vez de parto natural. Um estudo publicado esta semana pela revista científica Jama (The Journal of the American Medical Association) mostrou que 21,6% das mulheres com sintomas leves ou assintomáticas para a doença sofreram piora na situação clínica logo após o parto e precisaram de suplementação de oxigênio, contra apenas 4,9% das que tiveram um parto vaginal.

Além disso, 13,5% das submetidas à cesárea precisaram ir para a unidade de terapia intensiva (UTI) – contra nenhuma que pariu por vias naturais. Os partos cirúrgicos também foram relacionados a um maior internamento de bebês na UTI neonatal.

O estudo, realizado na Espanha, acompanhou 82 partos de mulheres com Covid-19: 78 delas eram assintomáticas ou tinham sintomas leves, sendo que 11 precisaram de suporte de oxigênio antes do parto. Dessas, 41 tiveram parto natural e 37 por cesárea (29 por complicações obstétricas e 8 indicações devido à Covid-19).

Mesmo feitos os ajustes de fatores de idade materna, obesidade, situação do raio-X do tórax e comorbidades, o parto cesariano se mostrou pior para as mães que tenham contraído o coronavírus. E também para os bebês: dos que nasceram via cesárea, 29,7% precisaram ir para a UTI neonatal, contra 19,5% dos que vieram ao mundo por parto vaginal.

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Parto cesariana x normal

Em vez de recorrer à cesárea, a recomendação é, primeiro, tentar induzir o parto. Há casos, é claro, em que a cirurgia será recomendada, quando a saúde da mãe e do bebê estiverem seriamente comprometidas, seja pela Covid-19 – que pode levar a uma baixa oxigenação, por exemplo -, seja por outros problemas, como pré-eclâmpsia.

Mas o estudo vem demonstrar que, mesmo em uma situação de pandemia, o mais indicado continua sendo o parto natural. Os índices de cesárea, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), deveriam ficar em 15% dos partos realizados. No entanto, no Brasil ultrapassam em muito esses números, com mais de 50% dos partos cirúrgicos. Nos hospitais e maternidades particulares, chega a mais de 80%.

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