Tanto a doação de leite materno como o recebimento desse leite pelo recém-nascido são seguros, garante Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) – a Fiocruz é uma das coordenadores da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. “Não há com o que se preocupar. Evidências científicas atuais demonstram que o vírus não passa pelo leite materno e, para ser doadora, a mulher deve estar amamentando o seu filho e ser saudável”, explica ela. “Doar leite é seguro pra quem doa e pra quem recebe, além de ser muito fácil”, complementa.

Caso a doadora contraia coronavírus, a orientação que tem sido dada é a de interromper a doação por 14 dias. Ainda assim, mesmo que o leite tenha sido doado por uma pessoa assintomática, o processo de controle de qualidade, análise, tratamento e pasteurização (aquecimento a 62,5o C durante 30 minutos) a que ele é submetido inativa todos os micro-organismos que possam existir. Portanto, o bebê receberá um leite seguro.

Do ponto de vista da doação, a mulher que doa também pode fazê-lo de modo bastante seguro, uma vez que há casos em que ela não precisa sair de sua casa para doar e, assim, não corre risco de se expor ao vírus – a coleta domiciliar é realizada por alguns hospitais, mas não todos. Ela pode fazer a retirada ao longo dos dias, armazenar no congelador e uma equipe do Banco de Leite passa em sua casa uma vez por semana para retirar a doação.

Impacto do coronavírus

A Covid-19, segundo Danielle, não alterou de modo substancial o volume de leite doado no Brasil, já que algumas mães, que passaram a ficar em casa, aumentaram a quantidade doada. Em maio, o Ministério da Saúde estimou em 5% a diminuição. Ainda assim, alguns Estados e municípios mais afetados pela pandemia viram suas doações despencarem, como é o caso do Estado de São Paulo e da cidade do Rio de Janeiro. Em 20 de maio, a secretaria de Estado de Saúde paulista informou que a queda foi de 60% nesse período de pandemia. A Maternidade Leila Diniz, na cidade do Rio, teve uma redução de 25% em abril.

“Quando os primeiros casos de Covid-19 foram detectados em nosso país, decidimos trabalhar com a informação. Informamos as mães doadoras que não haviam evidências científicas de que o vírus passava pelo leite humano e que nossos protocolos de trabalho são seguros, e isso fez com que não houvesse um grande impacto no volume doado aos bancos de leite, e até mesmo em algumas regiões o volume de coleta se manteve ou melhorou, pois muitas mulheres que haviam deixado de doar pelo retorno ao trabalho, voltaram a realizar suas doações por estarem em home office”, comenta Danielle. Ela diz que apenas o banco de leite humano do IFF/Fiocruz tem coletado, em média, 180 a 200 litros de leite por mês. O Ministério da Saúde informa que, por ano, em todo o país, são angariados cerca de 150 mil litros de leite materno – o que é insuficiente para suprir a demanda. A rede conta com 225 bancos e 212 postos de coleta pelo país.

Por que doar

O leite materno é usado pelos hospitais para alimentar os recém-nascidos prematuros que não podem ser amamentados pelas próprias mães. Cerca de 300 mil crianças nascem antes da hora no Brasil e precisam ficar internadas nas UTI neonatais. Cada litro de leite pode alimentar até 10 bebês por dia, mas qualquer doação é importante – mesmo 1 ml pode alimentar um bebê prematuro. O leite materno traz enormes benefícios para a criança, ajudando na recuperação e no combate a infecções.

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Como doar

Procure o banco de leite mais próximo de sua casa (clique aqui) e faça um cadastro – você terá de mostrar os últimos exames do pré-natal e será orientada sobre a doação.

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 Na hora da retirada, prenda os cabelos, lave bem mãos e o antebraço, coloque uma máscara e, de preferência, faça a extração apenas com as mãos, desprezando as primeiras gotas. Não precisa lavar os seios. Coloque em potes de vidro com tampa plástica, identifique (com seu nome, data e hora da primeira coleta) e leve ao freezer.

Você pode ir acrescentando as outras ordenhas nesse mesmo recipiente. Esse leite pode ser mantido até por 15 dias no congelador (sempre contando o dia da primeira coleta). Mais informações no site da Fiocruz ou em 0800 26 8877.

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