Quando a pressão sobe repentinamente a partir do segundo trimestre de gestação, é preciso ter atenção para tomar as medidas certas e evitar complicações. Veja quais são os sinais de alerta para a pré-eclâmpsia

“De repente, minha pressão subiu, meus rins começaram a parar e, com 35 semanas e três dias de gestação, precisamos antecipar o parto. Pré-eclampsia! Minha obstetra foi precisa, cirúrgica e, graças a Deus, salvou a minha vida! Minha mulher não saiu do meu lado um segundo sequer”. O depoimento é da atriz Nanda Costa. Ela foi diagnosticada com a doença responsável por 15% das mortes de grávidas no país, mas graças a ação rápida da profissional de saúde que a acompanhava, teve uma história com final feliz. Junto com a percussionista Lan Lahn, ela é mãe das gêmeas Tiê e Kim. 

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Nanda Costa teve complicações na gestação por conta da pré-eclâmpsia

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Mas o que é, afinal, a pré-eclâmpsia?

Para entender um pouco melhor essa complicação da gestação, BabyHome conversou com o ginecologista e obstetra Geraldo Caldeira, membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e médico do Serviço de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana, de São Paulo (SP). 

“A pré-eclâmpsia é uma patologia caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20ª semana da gravidez e com proteinúria, que é quando a paciente começa a perder proteína pela urina”, explica Caldeira. “É uma doença grave na gestação, que pode levar a insuficiência renal, insuficiência hepática, convulsões, edema (inchaço) e hemorragia cerebral… Além disso, pode levar a óbito fetal e é uma causa importante de prematuridade”, elenca o médico.

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Segundo o obstetra, a pré-eclâmpsia acontece de 3 a 5% das gestações e é responsável por 15% das mortes de grávidas. “Duas ou três mulheres grávidas morrem por dia de pré-eclâmpsia”, informa. 

Por que a doença acontece?

As causas da pré-eclâmpsia ainda não foram bem estabelecidas. O que a ciência descreve é uma lista de fatores de risco, ou seja, questões que quase sempre são incidentes em casos de gestantes diagnosticadas com a doença. 

“Os fatores de risco para pré-eclâmpsia são diabetes mellitus, gestação gemelar, histórico familiar de pré-eclâmpsia (ou seja, se a mãe teve, se a irmã teve…), hipertensão arterial crônica, quando o pai é diferente de uma gestação para outra, obesidade, idade materna acima dos 40 anos, ganho excessivo de peso, gestante que nasceu com baixo peso e sangramento no primeiro trimestre. Além disso, quem teve pré-eclâmpsia em uma primeira gestação tem 14% a mais de chances de ter novamente em uma próxima. A doença também aparece com mais frequência em mulheres afrodescendentes”, enumera Caldeira.

Mas calma! Não fique em pânico. Se você se encaixa em uma ou mais das condições acima, isso não significa que você está destinada a ter pré-eclâmpsia. As chances são maiores, mas não é uma relação direta, necessariamente. Pode acontecer também de você não ter nada disso e apresentar a pré-eclâmpsia. O importante é fazer um pré-natal de qualidade e ficar de olho nos sinais.

Sinais de pré-eclâmpsia: quais são eles?

Como no caso da atriz Nanda Costa, o que salva vidas de mulheres diagnosticadas com pré-eclâmpsia, na maioria das vezes, é a agilidade na detecção do problema e na conduta para resolvê-lo. Para isso, é preciso saber quais são os primeiros sintomas. 

“A pré-eclâmpsia é diagnosticada com pressão alta depois da 20ª semana de gravidez e perda de proteína na urina, que é a proteinúria. Além disso, pode haver sintomas como alterações visuais, dor de estômago, inchaço, dor abdominal… Todos esses sintomas levam a pensar em pré-eclâmpsia”, aponta o médico. 

Dá para prevenir?

“Para prevenir a pré-eclâmpsia, a mãe precisa fazer um pré-natal adequado e controlar peso, consumo de sal e pressão arterial”, diz Caldeira. “Em alguns casos, usamos medicamentos antiagregantes plaquetários e fazemos a reposição de cálcio”, complementa.

Estou com pré-eclâmpsia. E agora?

De acordo com o especialista, o tratamento da pré-eclâmpsia é basicamente o término da gravidez, para retirar a placenta. “A conduta depende da idade gestacional em que a paciente apresenta a pré-eclâmpsia. Quando a gravidez já passa de 36 semanas, a mulher é internada, toma medicamento para reduzir a pressão e anticonvulsivantes. Se for possível, o médico faz a indução do parto, para acontecer via vaginal. Se não, acontece por cesárea”, explica. “Nas pacientes que estão com menos de 36 semanas, faz-se a internação, administra-se remédio anti-hipertensivo, anticonvulsivante e tenta-se levar a gravidez o mais próximo de 36 semanas possível”, completa. 

Hipertensão, pré-eclâmpsia e eclâmpsia: qual a diferença?

Os nomes são complicados e as condições, mais ainda. Como não misturar tudo? Calma que a gente explica: 

Pressão alta: é quando a mulher já é hipertensa, independente da gestação.

Eclâmpsia: é a complicação da pré-eclâmpsia, quando a mulher apresenta convulsões por causa da alta da pressão alta. É um quadro muito grave.

Pré-eclâmpsia: é o aumento da pressão após a 20ª semana de gravidez, ou seja, a paciente não tinha pressão alta antes e desenvolveu isso depois da 20ª semana de gravidez. Ela também começa a ter perda de uma proteína na urina, chamada proteinúria. 

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One thought on “Pré-eclâmpsia é uma das principais causas de mortalidade materna

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