Medos, vacinas, como agir em caso de sintomas… A pandemia mexeu com a cabeça dos pais. Confira o que pensa o pediatra espanhol Carlos González, que deu uma entrevista exclusiva a BabyHome

A decisão de ter ou não um filho nunca foi fácil, quando você tem a chance de parar para pensar antes. A responsabilidade, que é imensa, se torna ainda maior em tempos de pandemia. Cá estamos nós, caminhando para o terceiro ano de uma pandemia que abalou o mundo. Como lidar com os medos? Como tomar as decisões referentes à saúde dos pequenos? Como diferenciar informações de verdade de fake news, que só colaboram para espalhar o medo e teorias da conspiração? O pediatra espanhol Carlos González, conhecido por sua maneira direta de tratar assuntos considerados tabus na amamentação e na criação dos filhos, conversou exclusivamente com BabyHome sobre o assunto. 

Entrevista exclusiva com o pediatra Carlos González
Carlos González (Divulgação)

Carlos González é um pediatra espanhol, referência em assuntos como amamentação e criação com apego. É autor de best-sellers, como Bésame mucho, Manual do aleitamento materno e Meu filho não come, todos lançados no Brasil pela Editora Timo.

+ Vacina da gripe: por que ela é fundamental em tempos de pandemia

Publicidade

BabyHome | Se engravidar sempre foi uma alegria, mas ao mesmo tempo, uma fonte de preocupação, agora, em tempos de pandemias e surtos de doenças (respiratórias e outras), acredita que está deixando os pais ainda mais tensos?
Carlos González | Acho que os pais sempre tiveram medo. Do futuro, de não saber o que fazer, de falhar. Mas, em geral, o medo deles passa muito rápido. Porque as crianças são muito maravilhosas e, no fim, ser pai/mãe não é tão difícil.

Livro Manual prático de aleitamento materno – Carlos González

BH | Com os tempos atuais, ainda no meio de uma pandemia global, estamos vendo uma série de fake news, médicos que fazem orientações confusas na internet… O que os pais devem fazer para não cair em correntes falsas? Que cuidados tomar, nesse sentido?
CG | As mesmas precauções que devem tomar sobre qualquer outro assunto: confiar somente em fontes sérias e, em caso de dúvida, comparar várias fontes sérias e ver se dizem a mesma coisa. Lamentavelmente, parece que muita gente, contudo, não tem critério para avaliar o que vê na internet. Dão a mesma credibilidade a um vídeo que recebem no Whatsapp ou a um vídeo do Youtube e às recomendações do Ministério da Saúde ou do hospital local. É como se, ao ver televisão, você não soubesse distinguir os jornais, os filmes e as propagandas.

BH | Por que as pessoas criaram tanta desconfiança da vacina?
CG |
Para mim, é um mistério. Acredito que há pessoas que estão sempre dispostas a desconfiar de tudo e, talvez, nesse caso concreto, os governos do mundo decidiram, ao menos no início, a não enfrentar os grupos anti-vacina. Porque, em 2020, não tinha vacinas para ninguém e, em 2021, não havia vacinas para todos. Com mais 5 milhões de mortos, o óbvio seria ver grandes manifestações de gente pedindo a vacina, exigindo a deposição do governo por não ter vacinas suficientes… E, em vez disso, os únicos protestos que vimos foram contra a vacina.

+ Peitolândia: vamos falar sobre amamentação?

Livro Um presente para a vida toda: Guia de Aleitamento Materno – Carlos González

BH | Se um bebê tem sintomas respiratórios, além das enfermidades que já existiam, os pais já ficam em pânico para saber se é covid, influenza, h1n1, h3n2… Ficou mais complicado. O que fazer e em quais momentos realmente a preocupação faz sentido?
CG | O mesmo de sempre. O covid-19, em geral, é leve em crianças (ainda que existam alguns casos graves). A bronquiolite e a pneumonia, por exemplo, sempre foram doenças mais graves. Quanto à necessidade de isolamento, os pais deverão fazer o que recomendarem as autoridades sanitárias a cada momento; entre em contato com o centro de saúde da sua região e pergunte: é preciso fazer um teste, tenho que fazer quarentena, tenho que levar meu filho ao médico? Mas, quanto à saúde da criança, continua sendo como sempre: se está tossindo e com o nariz escorrendo, mas está feliz e brinca normalmente, não é preciso se preocupar: se parece estar muito doente, com dificuldade para respirar, é preciso levar ao médico.

Livro Meu filho não come!: Conselhos para prevenir e resolver esse problema – Carlos González

+ Febre: quando medicar o bebê?

+ É seguro doar e receber leite materno durante a pandemia?

+ Quer saber mais? Assine nossa newsletter e receba toda semana mais matérias sobre como o seu bebê está se desenvolvendo. É rápido e gratuito

Publicidade

One thought on “Entrevista exclusiva: o pediatra espanhol Carlos González fala sobre ter filhos em tempos de pandemia

  1. Pingback: Carnaval com bebê, sim! Dicas para preparar a folia em casa - BabyHome

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.