Até os seis meses, seu filho deve ficar em aleitamento exclusivo. Isso quer dizer: nada de papinha de bebê, nem suco ou chás. Se ele mama no peito em livre demanda, recebe da mãe todos os nutrientes suficientes até essa idade, inclusive a água para se hidratar. Crianças que tomam leite de fórmula também ganham a nutrição adequada até essa idade – com exceção de água, que alguns pediatras, mas não todos, recomendam dar entre uma mamadeira e outra.

Ao completar meio ano de vida, porém, ele já está preparado para começar a comer e precisará dessa energia extra. Dar papinha de bebê antes dessa idade prejudica o aleitamento exclusivo e pode ser perigoso, dependendo de como for o desenvolvimento dele (embora haja estudos com ressalvas a essa orientação).

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Por que não dar comida antes de 6 meses?

  • O fim precoce do aleitamento reduz a proteção imunológica do bebê. Amamentar protege contra a asma, por exemplo.
  • O sistema digestivo está maduro aos 6 meses.
  • A mastigação já está mais evoluída, bem como o movimento de deglutição, para engolir a comida. Há menor risco de a criança engasgar.
  • O bebê já não “cospe” tanto a comida, porque o reflexo de protrusão da língua já está quase acabando. Esse reflexo é aquele movimento involuntário que o faz colocar diversas vezes a língua para fora (e o que estiver na boca).
  • Nessa fase, ele já consegue levar a comida à boca com as mãos e também senta sem precisar apoiar as costas.

Pode começar com suco?

Antigamente, os médicos diziam para iniciar com os sucos naturais de frutas – como de laranja lima –, antes mesmo dos seis meses de idade. E, depois, partir para as papinhas mais líquidas. Hoje, nem um nem outro são recomendados.

No caso do suco, a Academia Americana de Pediatria sugere que ele seja dado só depois de 1 ano de idade, e no máximo 120 ml por dia até a criança completar 3 anos. Isso porque cada copo de suco precisa de muitas frutas, o que acaba sendo uma sobrecarga de frutose, o açúcar da fruta.

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Por que papinha de bebê batida e sopa rala não são boas?

A papinha líquida e a sopa, daquela que as mães batiam no liquidificador, não permitem à criança distinguir os sabores e estimular a mastigação. É importante que o bebê prove os legumes e os outros alimentos da papinha um a um, para que assimile os gostos e as texturas de cada um. Isso reduz a rejeição aos alimentos mais consistentes mais para a frente.

Por isso mesmo, a comida não pode ser batida no liquidificador nem no processador, nem passada na peneira. O ideal é amassar com um garfo, de modo que a textura do alimento seja sentida. Quanto menor a criança, mais você amassa, mas sem triturar.

É claro que você pode oferecer sopa, mas ela não deve ser a única forma de apresentar o alimento à criança. O bebê precisa mesmo desbravar os sabores e as texturas. Por isso, muitas famílias adotam o BLW, método em que a criança é estimulada a comer sozinha, em pequenos pedaços, pegando com as mãos. Outras, preferem um formato misto, com papinhas amassadas e a inserção de alimentos em pedaços gradualmente, conforme a criança vai ficando mais ereta na cadeira.

+ O que é BLW, o método que ensina o bebê a comer sozinho?

Como fazer a introdução alimentar?

Após a criança completar 6 meses, você pode apresentar os alimentos aos poucos, um por um. De preferência, um diferente a cada dois dias, para avaliar a reação do organismo. Como o sabor adocicado é mais bem aceito, a maioria dos pediatras sugere começar com uma papa de frutas amassadas, de manhã ou à tarde. Pode ser de mamão, pera, maçã cozida ou raspada, manga sem fiapo (do tipo Palmer), abacate… Mas podem ser também gomos de laranja ou mexerica. A banana, que costuma ser muito frequente nessa fase, é uma fruta que pode causar alergia. É bom ficar atento!

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De olho nas alergias

Com exceção do kiwi e do morango, que devem ser oferecidos após o primeiro ano de idade, não há uma regra. Melão e pêssego costumam ter mais relatos de alergia. Mas também há crianças que têm quadro alérgico com maçã, laranja, manga, abacaxi e cereja, por exemplo.

O importante é ficar de olho nas reações: se o bebê tiver vermelhidão na pele, coceira na garganta, inchaço nos lábios, cólica, gases, vômito, diarreia ou dificuldade para respirar, pode ser alergia.

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Quando dar papinha salgada?

Não há uma só forma indicada por todos os pediatras, por isso, converse com o médico do seu filho. Mas uma fórmula bastante recomendada de introdução alimentar é:

  • 1o semana: introduzir uma papa de fruta pela manhã.
  • 2o semana: acrescentar uma papa de fruta à tarde.
  • 3o semana: inserir os alimentos salgados no almoço e continuar com as frutas nos intervalos. Você pode começar com abóbora, cenoura, mandioquinha, chuchu, batata, batata doce ou espinafre, todas amassados com o garfo.
  • 4o semana: introduzir os alimentos no jantar.
  • Próximo mês: nesta fase, você já pode fazer combinações no prato, para tornar a alimentação mais balanceada, como ter legumes, proteínas, carboidratos e verduras (ou ao menos duas combinações em cada prato). Assim, aos oito meses o bebê já está com quatro refeições diárias e começa a ter um prato mais equilibrado.

Dicas e restrições:

  • Os alimentos devem ser macios, de preferencialmente cozidos.
  • Para ajudar no processo de digestão, você pode acrescentar um fio de azeite de oliva à papinha de bebê.
  • A carne você pode fazer moída ou oferecer em pedaço grande, para o bebê chupar.
  • Não esqueça que agora a criança já precisa de água.
  • O ovo só deve ser oferecido mais tarde, pelo risco de provocar alergia. A recomendação da maior parte dos pediatras é após 1 ano de idade, mas com o perigo de contrair febre amarela e a obrigatoriedade de vacina aos 9 meses, alguns médicos pedem para ele ser dado alguns dias antes da vacinação. Ofereça apenas ¼ da gema cozida e aumente aos poucos.
  • O melhor seria introduzir leguminosas (feijão, ervilha, lentilha…) aos 10 meses, mas, com cautela, é possível começar antes.
  • Deixe o peixe para os 9 meses.

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Quando comer a comida da família?

Uma boa parte dos pediatras diz que o bebê deve comer a mesma comida da família desde o início da introdução alimentar, mas com adaptações, claro – o que convenhamos, é uma facilidade no sentido de não ter de preparar tantos pratos diferentes, não é? Você pode oferecer a ele o purê ou outro legume que compõe o cardápio do dia. Os alimentos precisam ser amassados (ou mais macios) e o sal precisa ser reduzido na preparação.

Outros recomendam que isso aconteça por volta de 1 ano de idade, para evitar a exposição precoce ao sal, que pode sobrecarregar os rins do bebê. Mas de nada adianta poupar seu filho do consumo de sal se, quando ele começar a comer a refeição da família, tudo estiver muito salgado. É preciso que todos adotem um hábito mais saudável. Aposte em temperos que ajudam a tornar a comida mais atraente: cebola, salsinha, alho, cebolinha, coentro, manjericão…

Continuo com o leite?

O aleitamento materno é recomendado até os 2 anos de idade, conforme a Academia Americana de Pediatria. Até o primeiro ano, a criança ainda está aprendendo a comer e o leite continua sendo superimportante. Depois, ele passa ao papel de complementar à alimentação. Assim, continue dando o peito ou a fórmula. O leite de vaca só pode ser oferecido após 1 ano de idade.

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Spoiler: fase de muitos palpites

Prepare-se para os palpites e conselhos sem fundamento. Uns vão dizer que o filho da vizinha comeu feijoada com quatro meses e está aí, vivo e saudável. Outros vão querer que você repita o que eles fizeram com os filhos, oferecendo suco, mingau…

É importante manter a calma e ter em mente que as recomendações mudam ao longo do tempo, com base em novas pesquisas e evidências. Isso quer dizer que o que sua avó ou sua mãe adotaram com você pode não ser a melhor prática hoje em dia. Nesses casos, argumente com fatos. Explique que entende que elas querem o melhor para o seu filho, mas que o melhor hoje é fazer como recomenda a maioria dos pediatras.

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